PLANO SAFRA 2018/2019

Crédito rural: BNDES reabre investimento para Moderfrota e mais 6 linhas
O total de recursos destinados dentro do Plano Safra será de R$ 46,41 milhões. Mas o banco sinaliza, que só serão acolhidos pedidos realizados até 7 de junho

O Banco Nacional de Desenvolvimento Econômico e Social (BNDES) reabriu, na última sexta-feira, dia 31 de maio, a contratação de crédito para sete investimentos: Programa ABC, Inovagro, Moderagro, Moderfrota, Prodecoop, PCA e Pronaf Investimento.

O total de recursos destinados a essas linhas, dentro do Plano Safra 2018/2019, é de R$ 46,41 milhões, assim distribuídos: Programa ABC, R$ 9,99 milhões; Inovagro, R$ 1,46 milhão; Moderagro, R$ 922,8 mil; Moderfrota MPME, R$ 1,628 milhão; Prodecoop, R$ 6,35 milhões; PCA, R$ 8,59 milhões e Pronaf Investimento, R$ 17,45 milhões.

Contudo, o banco sinaliza, que somente serão acolhidas operações protocoladas por meio do Sistema BNDES Online. “As operações deverão ser protocoladas somente no dia sete de junho de 2019, de forma que as operações protocoladas antes ou após essa data serão automaticamente rejeitadas”, diz o texto do aviso, publicado no dia 31 de maio no site do BNDES.

Cortes de crédito 

Em 22 de maio, a pouco mais de um mês do término da safra 2018/2019, o BNDES, anunciou a suspensão dos pedidos de financiamento do Programa de Capitalização de Cooperativas Agropecuárias (Prodecoop). O motivo segundo o banco, foi o esgotamento dos recursos, dada a grande demanda na temporada que termina em 30 de junho.

O anúncio veio uma semana depois de o BNDES suspender outras linhas previstas no Plano Safra, também com recursos esgotados: o Programa de Incentivo à Irrigação e à Produção em Ambiente Protegido (Moderinfra), Programa para Construção e Ampliação de Armazéns (PCA) e Programa Nacional de Fortalecimento da Agricultura Familiar (Pronaf Investimento).

Mas no 28 de maio, foi anunciado que Bancos que operam a linha do Programa Nacional de Apoio ao Médio Produtor Rural (Pronamp) com taxas de juros prefixadas já podiam novamente conceder empréstimos relativos a operações de investimento dentro do ciclo 2018/2019.


O DINHEIRO DO CRÉDITO RURAL SUMIU?

Sem dúvida alguma, vivemos um momento ímpar dentro da história brasileira onde, um misto de esperança e preocupação nos atinge a cada noticiário. Observamos um dólar valorizado internamente e bolsa brasileira batendo recordes, mas vemos também um grande número de desempregados e uma massa de novos empreendedores e pequenos investidores buscando meios e oportunidades de ampliar sua renda (para muitos, ter uma fonte de renda!).

Neste cenário, começamos a observar um crescimento no volume de negócios de corretoras e bancos de investimentos, e isso pode atingir o crédito do maior setor econômico do Brasil, o agronegócio.

Provavelmente você já deve ter se deparado com alguma propaganda como:

– Taxa zero para investir…
– Saiba como transformar mil e em um milhão…
– Investi tantos reais e conquistei meu primeiro milhão… (lembra da Betina?!)
Quando analisamos o “poder de fogo” do governo, lembramos que ele tem um problema gigante, a nossa previdência, que suga grande parte do orçamento, e o impede de fazer outros investimentos estruturantes, ou mesmo aumentar o aporte de recursos nos setores estratégicos para a manutenção da economia.

Mas onde entra o Agro dentro destes itens desconexos?

Todo o setor agrícola tem necessidade de financiamento, seja na forma de custeio, de investimentos, de comercialização ou de industrialização. Segundo o Banco Central, em 2018 foram utilizados 180 bilhões de reais do governo em investimento no setor.  Esse montante de recursos é bem significativo, e precisa ser disponibilizado de alguma forma para que possamos continuar produzindo nossas safras, e gerando uma riqueza perto de 1,4 trilhão de reais, valor este que se refere ao PIB do agronegócio em 2018, segunda o Cepea.

Quando olhamos a origem dos recursos investidos no agro, observamos que são captados no mercado financeiro, de diversas formas. Guarde esta informação, o setor financeiro precisar captar os recursos no mercado, para depois aplicar no Agro.

Perceba a diferença, o governo não coloca recursos diretamente nas propriedades, ele atua principalmente equalizando juros, ou seja, ele complementa parte dos juros pagos aos agentes financeiros pelos produtores, e o faz, principalmente quando a fonte de captação é poupança.

Com o objetivo de estimular os agentes financeiros a aplicar no agronegócio, o governo brasileiro, ao mesmo tempo que subvenciona parte dos juros, exige que os agentes financeiros apliquem um percentual dos recursos aplicados em sua poupança ou em seu depósito à vista, aquele dinheiro que deixamos na conta corrente, no agronegócio.

Nestas duas linhas, existe a exigibilidade de aplicação no crédito rural! No mercado existem diversas outras possibilidades de captação e aplicação, mas estas são operações com taxas livres, negociadas livremente sem a arbitragem do governo. Apenas para citar um exemplo, temos as Letras de Crédito do Agronegócio (LCA), que vem crescendo e se destacando no mercado.

Pois bem, temos observado que o volume de recursos em conta corrente (depósito à vista), tem diminuído com a piora continuada da situação econômica dos brasileiros. Só nos primeiros 4 meses de 2019, os saques superaram os depósitos em mais de 16 bilhões de reais.  Observamos ainda, saques da poupança para honrar compromissos de curto prazo e também, a migração das aplicações da poupança, para o mercado de capitais, tesouro direto, etc.

A consequência imediata é a redução do volume de recursos a serem aplicados no agronegócio, abrindo espaço para as negociações com taxa de juros livre, sem a arbitragem e subvenção do governo.

Olhando os números, quase 50% do valor disponibilizado aos produtores em 2019, é com taxas de juros livres, contra 18% em 2018.

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