Dedo de prosa com a Escola Agro – #4

Dedo de Prosa
Olá, gostaríamos de compartilhar contigo algumas notícias e informações relevantes do agronegócio. Boa leitura.

 

 


 Preços da soja caem mais uma semana no Brasil. Na ultima semana de outubro, os preços em Paranaguá se desvalorizaram 2,1%, fechando o dia 1/11, cotado a R$ 85,79/sc de 60kg. Um dos motivos é a queda do dólar, devido ao cenário político, que pressionou a paridade exportação do grão. Além disso, os compradores estão à espera de preços menores, dado a expectativa de boa produção, em função do bom clima nas lavouras, e do adiantamento da semeadura da oleaginosa. Com isso, internamente a expectativa é que os preços caiam em função da supersafra. Entretanto, a eleição para o Congresso norte-americano pode interferir nos preços na CMEgroup nas próximas semanas, pois o partido republicano, partido de Trump, pode perder a maioria e trazer desdobramentos na condução da guerra comercial entre o país e a China.

 


Falando em guerra comercial, a sinalização de acordo entre os EUA e a China movimentou o mercado na última semana. Presidente Trump agendou uma reunião com a China na próxima reunião do G20 para falar sobre a exportação de soja, isso fez com que os preços subissem rapidamente na CME Group. Os preços da soja são fortemente impactados, e com isso observamos os preços caírem no mercado interno, mesmo com altas na Bolsa de Chicago. Isso acontece devido a uma queda do prêmio da soja no Brasil, que nos últimos dias retraiu em mais de R$ 4,00/sc. Essa é uma informação muito importante, ela pode mudar muito o cenário atual de preços da soja e outras commodities em todo o Brasil.

O bom clima nas lavouras tem ajudado os produtores com os trabalhos de semeadura da soja em todo o país. Em Mato Grosso, Rio Grande do Sul e  Mato Grosso do Sul, a semeadura está adiantada em relação à safra passada. O Paraná, segundo maior produtor de soja do Brasil, se vê em uma situação diferente, pois o excesso de chuvas tem prejudicado o trabalho no campo, que está 8% atrasado em relação à safra anterior. Além disso, no Paraná já foi identificado o primeiro foco de ferrugem asiática da safra 18/19, isso pode, em conjunto com os maiores índices pluviométricos, interferir na produtividade no estado. Assim, além da situação internacional, a safra 18/19 tende a ser recorde, o que deve pressionar os preços da oleaginosa internamente. Isso gera alerta para produtores que ainda não venderam parte significativa de sua safra.


Rússia anuncia que retomará as importações de carne suína e bovina de nove fornecedores brasileiros a partir de novembro. Com restrições às importações de carne brasileira desde 2017, em função do uso de ração com o aditivo ractopamina (negado pelos produtores), o país começa a confiar novamente no Brasil, após divulgação de garantias de segurança por parte do governo brasileiro. Antes, cerca de 48 frigoríficos estavam aptos para exportar para a Rússia, o bloqueio  gerou um prejuízo de cerca de um bilhão à economia brasileira, entre as negociações de carne bovino e suína, mas a retomada das exportações por 9 plantas frigoríficas traz novas expectativas. Grande parceiro comercial do Brasil, a Rússia deve auxiliar na retomada das exportações do setor de carnes que vem sofrendo ao longo do último ano com diversos embargos.


Com a alta nos preços da pluma, Conab estima crescimento de 15,7% na produção 18/19 ante a safra 17/18, com volume recorde de até 2,3 milhões de toneladas produzidas. Além da estimativa de aumento na produção, a companhia acredita que as exportações passarão de um milhão de toneladas na safra 17/18, para 1,33 milhão de toneladas na safra 18/19. Tal movimento está previsto em virtude da melhora do preço da pluma, que valorizou-se 9% em dólares para exportação, quando comparado o preço médio da tonelada de algodão exportada em outubro/18 a outubro/17,  e em conjunto com isso, houve a valorização de 19% do dólar no mesmo período, ou seja, quando transformado em reais, os exportadores de algodão viram suas margens crescerem 29%.  Produtores de algodão estão capitalizados, porém a próxima safra deve ser de muita cautela e de vendas antecipadas que podem garantir mais um bom resultado econômico.
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