Dedo de prosa com a Escola Agro – #3

Olá, gostaríamos de compartilhar contigo algumas notícias e informações relevantes do agronegócio. Boa leitura.

 

 


Dia 1º de novembro começa a vacinação contra a febre aftosa no Brasil. O país que viu seu último foco da doença em 2006 no Mato Grosso do Sul, recebeu em 2018 o certificado que dá o título de livre de febre aftosa com vacinação, durante a 86ª reunião da Organização Mundial de Saúde Animal (OIE). Acre, Paraná, Espírito Santo e parte de Roraima devem vacinar todo o seu rebanho, ou seja, jovens e adultos. O restante dos estados vacinará apenas animais de até 24 meses de idade, conforme calendário de vacinação divulgado pelo MAPA. Vale lembrar que em maio deste ano aconteceu a primeira rodada de vacinação, sendo que, 98,33% do total do rebanho bovino brasileiro foi vacinado. O país vem reduzindo gradativamente o uso da vacina, e o MAPA estima que até 2021 haja diminuição de 54,07% nas doses utilizadas, o que resultaria numa redução de custos de R$ 274 milhões.

 


Balanço de proteína animal, desde 2017, aponta perda bilionária. Segundo a Secretaria de Comércio Exterior (Secex) e representantes do setor frigorífico, desde março do ano passado (deflagração da operação carne fraca), os exportadores de carne do país perderam o acesso a mercados com potencial de agregar mais de US$ 1,8 bilhão anuais, devido aos escândalos que rondaram o setor. O mercado de carne de frango e suína foram as mais prejudicadas pelos embargos e medidas antidumping. A União Europeia ainda deve preocupar os exportadores de frango, uma vez que, a expectativa de reabertura de alguns dos 20 frigoríficos vetados este ano, não irá se confirmar. O setor de carnes acredita que o cenário deva melhorar no próximo ano, com uma possível abertura comercial junto a Turquia, crescimento das exportações para a China, e possível reabertura do mercado de carne bovina in natura com os EUA, além da derrubada dos embargos, o que tende a interferir nos preços brasileiros, e que pode afetar os produtores, frigoríficos e consumidores finais.

 


5 formas para aumentar a lucratividade da atividade leiteira. Um evento realizado este mês em Ribeirão Preto-SP, sobre a cadeia produtiva do leite, elencou 5 possíveis formas de melhorar a rentabilidade da atividade. 1 – Através da escala de produção, ou seja, produzir mais a fim de diluir os custos fixos. 2 – Verticalização da produção, que na produção leiteira pode ser alcançada mediante a produção de insumos para a alimentação dos bovinos, ou, produção de derivados. 3 – Atender nichos de mercado, pois assim, é possível satisfazer a um público específico e que está disposto a pagar mais pelo produto. Há outras duas formas elencadas no evento que dizem respeito a agregação de valor no produto, e você pode vê-las aqui. Estas são algumas das formas de aumentar a lucratividade da atividade leiteira, e o produtor deve procurar a que melhor se adequar a sua realidade, sendo que, esta melhoria beneficia não só a ele, como também a toda a cadeia produtiva e o consumidor final, que tem acesso a um produto com melhor qualidade.

 


Brasil deverá colher 120,39 milhões de toneladas de soja na safra 18/19. Segundo a Reuters, devido ao clima que vem colaborando para os trabalhos a campo, e o aumento da área, que está estimada em 36,12 milhões de hectares, a produção nesta safra deverá ser recorde. Os produtores devem se atentar ao provável El Niño que possivelmente atingirá o Brasil, acarretando em chuvas em excesso na região sul do país, e seca na região de Matopiba, composta pelos estados do Maranhão, Tocantins, Piauí e Bahia, o que pode vir a prejudicar a produtividade destas regiões. Ao que tudo indica, a produção brasileira terá um destino certo caso a guerra comercial entre EUA e China prevaleça durante o próximo ano, uma vez que, a potência asiática tende a importar mais soja da América do Sul. Como já vimos, esse movimento tem favorecido os preços recebidos pelos exportadores brasileiros, com prêmios superando os US$ 2,50/bushel (R$ 20,44/sc). Se tudo caminhar bem, clima e demanda, teremos uma boa safra do ponto de vista da rentabilidade para quem adquiriu os insumos antes do mês de maio (estouro da greve dos caminhoneiros e consequente aumento nos fretes dos insumos, aumento substancial do dólar, além da valorização de princípios ativos de importantes insumos), porém para os demais, precisam da soma de dois fatores: boa produtividade e bons preços.

 


Jair Bolsonaro (PSL) é eleito novo presidente do Brasil com 55,1% dos votos válidos. Qual o impacto para o agro? O primeiro ponto que deve chamar atenção do setor é o câmbio. Como já vínhamos reportando, o mercado estava mais confiante caso o candidato do PSL ganhasse a eleição, e o câmbio veio apresentando viés baixista, já antecipando a tendência. Logo, a curto prazo o dólar deve apresentar queda frente ao real, contudo, o cenário internacional tende a fortalecer a moeda americana a médio/longo prazo. Jair tinha entre suas propostas a abertura de novos acordos bilaterais internacionais, ou seja, acordos comerciais, o que pode vir a facilitar a comercialização de alguns produtos, além da promessa de redução de alíquotas de importação e das barreiras não-tarifárias. O preço dos combustíveis deve seguir o mesmo padrão de precificação do atual governo, variando conforme o preço do petróleo no exterior e flutuação cambial. Bolsonaro deve acelerar concessões de infraestrutura a fim de dar andamento aos projetos da Ferrovia de Integração do Centro-Oeste e as BRs 163 e 319. De modo geral, esperasse que a gestão dele atenda o setor agropecuário, entretanto, suas propostas precisam passar pelo congresso nacional, onde podem sofrer alterações.
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