Dedo de prosa com a Escola Agro – #1

Dedo de Prosa
Olá, gostaríamos de compartilhar contigo algumas notícias e informações relevantes do agronegócio. Boa leitura.

 


Em sua primeira estimativa para a safra 18/19, a Conabprevê um aumento de 10 milhões de toneladas (t) na produção de grãos no Brasil. A produção nacional deve variar entre 233 e 238 milhões de toneladas, com destaque para a soja, com mais de 119 milhões de t, seguido do milho com mais de 91 milhões de t. Para contribuir com este aumento, a previsão é de que a área total de grãos aumente em até 2,3%, alcançando 63 milhões de hectares. Caso as projeções de produção se confirmem, esta seria uma nova safra recorde, superando a 16/17. A grande oferta de grãos no mercado pode impactar os preços, contudo, ainda é preciso saber se o clima irá contribuir para que a estimativa da Conab se consolide.


Na última quinta-feira (11/10), foi divulgado o boletim do USDA. O mercado esperava por números maiores de produtividade, produção e de venda do grão estadunidense, porém não foi o que aconteceu e os preços da soja apresentaram alta em Chicago.  A produção está estimada agora em 127,6 milhões de toneladas (t), já a produtividade encontra-se em 59,5 sc/ha. Além do relatório do departamento americano, o clima também tem dado sustentação aos preços. Agora, não é só a chuva que preocupa os produtores norte-americanos, mas também a apreensão em torno da temperatura mais fria, cerca de 10 graus abaixo do normal. O clima que por sua vez, interfere na produtividade e produção dos EUA, deve ser o grande protagonista das oscilações dos preços na CMEgroup nas próximas semanas, e o produtor brasileiro deve ficar atento as melhores oportunidades para fechar negócios para a safra 18/19.


A safra 18/19 de produção de etanol deve apresentar melhor resultado econômico que a anterior. A receita do setor pode crescer 24%, passando de R$ 44,1 bilhões na safra 17/18, para R$ 54,7 bilhões na atual safra. O aumento se deve em partes pelo crescimento da produção, que tem expectativa de aumento de 14%, com estimativa de produção de 31,8 bilhões litros, sendo 21,6 bilhões de litros de hidratado, e 10,2 bilhões de litros de anidro. Para contribuir com o incremento da receita, o preço médio do litro do etanol hidratado e anidro, devem valorizar-se 10% e 9%, respectivamente. Caso as estimativas se consolidem, tanto a receita, quanto a produção serão recordes, superando a safra 16/17. As usinas estão sabendo aproveitar os preços mais altos de etanol, e é esperado que de setembro/18 até maio/19 aumentem a produção em 25%, enquanto que a demanda tende a aumentar 42%, o que dará sustentação aos preços e pode refletir em rentabilidade recorde ao setor.


Cada vez mais é possível ver as consequências da guerra comercial entre EUA e China para o Brasil. A potência asiática aumentou em 22% as importações de soja brasileira entre janeiro e setembro deste ano, quando comparado ao mesmo período de 2017. A China tem aumentado a demanda pela oleaginosa brasileira, com consequente valorização dos preços recebido pelos produtores, que chega a ser US$ 2,80/bushel (R$ 23,07/sc) superior ao da soja norte-americana, enquanto que no ano anterior, o prêmio era de apenas US$ 0,60/bushel (R$ 4,94/sc). Por outro lado, os produtores americanos estão vendo os preços do grão ficarem abaixo de seu custo de produção, em função da redução da demanda pela commodity americana, que por sua vez é resultado das políticas do Trump. Por fim, o líder do governo do EUA está entregando uma grande parcela do mercado consumidor de soja ao Brasil, que está aproveitando a demanda chinesa, que já representa cerca de 80% de toda a exportação do grão do país, e que deve crescer ainda mais este ano.


Com a redução na demanda por frete de insumos, dado que as entregas dos fertilizantes estão quase 100% concluídas para a safra de soja 18/19, as empresas de transporte de insumos vêm os preços dos trajetos mais longos ficarem abaixo do piso da Agência Nacional de Transportes Terrestres (ANTT). Em trechos mais curtos, como Paranaguá-Rondonópolis (1500km), ainda há como as empresas calcularem os valores de acordo com a tabela da ANTT, contudo, quando as rotas são mais longas, como Paranaguá-Sorriso (2200km), os preços são negociados abaixo do estipulado pela agência. No momento os preços dos fretes de insumos não devem preocupar os produtores, uma vez que, grade parte dos insumos já encontram-se nas propriedades, entretanto, a tabela de preço mínimo da ANTT tem dificultado o fechamento de contratos futuros e pode trazer mais dor de cabeça na hora de escoar a produção agrícola.

 

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